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A importância de ser honesto

A honestidade é uma das virtudes mais importantes: na família, no trabalho e na sociedade. Na política, então, assume especial relevância. Um político ser capaz de dizer ao que vem (dizer o que pensa) e fazer o que diz: eis o que necessitamos!

Pode-se pensar na importância da competência técnica, da inteligência, da inovação e da criatividade. Mas cá entre nós, o que mais está em falta é mesmo a honestidade. Todo o resto são benefícios que podem ser construídos sobre ações e pensamentos honestos.

Quando se tem responsabilidades políticas, públicas ou coletivas, a questão da honestidade põe-se com maior acutilância, uma vez que a sua presença ou ausência geram consequências alarmantes, sobre várias pessoas.

Não só o que fazemos afeta diretamente muita gente como o nosso exemplo tem peso – a atitude de um governante tem que ser exemplar porque é um modelo de ação.

E note-se que a honestidade é transversal: não basta haver coerência entre o que se diz e o que se pratica, o que se diz tem que ser coerente com a verdade (e tantas vezes o discurso é demagógico ou internamente incoerente – eis a desonestidade intelectual!).

Bem sei que clamar por honestidade na política é o grau zero dessa atividade, mas é o ponto em que estamos, é por aí que precisamos de começar. Num país como o nosso, em que a percepção e a realidade da corrupção atingem patamares alarmantes, seria, de fato, um progresso enorme, conseguir que todos os políticos tomassem atitudes honestas. Depois, então, viriam as escolhas ideológicas, ou seja, começaríamos, realmente, com a política.

Mas não só na política se põe a questão da honestidade: também nos negócios e na vida cívica e coletiva temos que lidar por ela. Por isso não basta clamar apenas por políticos honestos. Cada um de nós deve cultivar a honestidade como um valor e como um hábito.

Só teremos moral para exigir honestidade se começarmos por ser honestos também.

Depois, numa democracia representativa, o nosso voto mostra quem nós escolhemos para nos representar.

Quem vota em políticos comprovadamente corruptos e desonestos está afirmando que se sente representado por essas figuras. Não tem, assim, legitimidade para se queixar quando o político for desonesto. E o argumento da falta de alternativas não colhe: há políticos que ainda não provaram ser desonestos!

A honestidade (aliás como todos os outros valores) não aparece codificada binariamente: honesto/desonesto. Há graus de honestidade e graus de desonestidade.

Aquilo que devemos procurar é ter atitudes de alto grau de honestidade e de baixo grau de desonestidade e votar naqueles políticos que demonstraram maiores graus de honestidade: aqueles que respeitam as leis, que rejeitam a corrupção, que favorecem a transparência e a rotatividade no poder, que praticam políticas financeiras responsáveis, que atentam às diferentes instituições e aos diferentes interesses das populações e que não mentem.

Uma percentagem substancial da culpa pela crise que vivemos deve-se à desonestidade que tem grassado no mundo. De políticos que vão para o governo e não fazem aquilo a que se comprometeram nos seus programas eleitorais, de decisores que desrespeitam os interesses populares e agem de acordo com vontades particulares, de governantes que hipotecam o futuro com manobras de curto prazo ou de demagogos engravatados que prometem o impossível. Tanto no Brasil como no mundo, a crise tem muito a ver com a dificuldade que temos tido em fazer com que a honestidade seja um valor realmente irrevogável.

Artigo extraído e adaptado do site P3.

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Vida nova: Aprenda a mudar seus hábitos para melhor

Existe um componente de peso testando nossa persistência sempre que resolvemos mudar o rumo da vida: o cérebro! que colabora para que você se sinta melhor cultivando os velhos hábitos de sempre, por pior que sejam. Autossabotagem? Não, questão de evolução.

“Fomos selecionados para dar valor àquilo que aumenta nossa chance de sobrevivência”, explica André Frazão Helene, professor da Universidade de São Paulo (USP).

A boa notícia é que dá para interferir a qualquer momento em um processo que esteja atravancando a vida ou colocando você para baixo. Pode não ser simples nem instantâneo, mas o gostinho de vitória que vem depois compensa o esforço.

Piloto automático

Nosso cérebro é programado para trabalhar com economia de energia, realizando várias tarefas de modo mecânico enquanto deixa espaço para a cabeça focar em outras. Se não fosse assim, ninguém conseguiria andar e conversar ao mesmo tempo nem prestar atenção no trânsito e ainda dirigir – e olhar nos espelhos, pisar na embreagem, trocar de marcha, acelerar… Isso explica por que acordar cedo para ir à academia não parece uma boa ideia para o cérebro nas tentativas iniciais. Ele precisa, primeiro, aprender a fazer isso. Depois de alguma insistência, passa a gostar do estímulo das endorfinas e aí sim, começa a formar o hábito. O tempo que isso leva varia de uma pessoa para outra, mas alguns especialistas defendem que três semanas é tempo suficiente para conseguir.

Prazer que vicia

Existem vários tipos de hábitos. “Alguns, mais difíceis de ser abandonados, envolvem mecanismos cerebrais de recompensa”, diz Timothy Wilson, professor do departamento de psicologia da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, e autor do livro Redirect: The Surprising New Science of Psychological Change (Redirecione: A Surpreendente Nova Ciência da Mudança Psicológica, ainda sem tradução no Brasil). Quando um pedaço de chocolate dissolve na sua boca, por exemplo, ocorre uma descarga de dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer, que converge para uma área cerebral chamada de centro de recompensa. Se uma substância (como o açúcar e a maioria das drogas) estimula a produção de dopamina repetidas vezes, desencadeia uma espécie de dependência: você sabe que não é bom exagerar, mas é difícil resistir.

Antecipando a recompensa

O professor Wolfram Schultz, de Cambridge, estuda os mecanismos da aprendizagem há mais de 20 anos e descobriu que, depois de algum tempo repetindo um comportamento, o cérebro passa a antecipar a recompensa. No caso daquele pedaço de chocolate, você sente o gostinho antes de encostá-lo na língua – o que torna mais difícil não se render a ele. Difícil, mas não impossível. “É possível mudar o vínculo com a comida estabelecendo ligações com a sua qualidade de vida, saúde, autoestima – qualquer coisa que distancie de comer apenas pela satisfação imediata”, ensina Frazão. Por exemplo, no quesito prazer que proporciona, um prato de salada perde para uma porção de batata frita para a maioria das pessoas, mas um corpo magrinho e disposição para brincar com as crianças dão de dez na barriguinha saliente – e disso ninguém discorda. “Você precisa abrir mão da satisfação no curto prazo para conquistar uma maior depois”, aconselha Alfredo Maluf Neto, psiquiatra de São Paulo.

Em busca de aceitação

Muitas vezes, repetimos um modo de ser ou fazer porque, assim, seremos amados e admirados. “Um comportamento é a expressão de fatores que envolvem nossas memórias e valores”, afirma o professor da USP. O americano Timothy Wilson concorda:

“Ações viram hábitos quando conversam com nossa história e desejos.”

Por exemplo, uma menina que sentia falta da atenção dos pais pode crescer acreditando que há algo de errado com ela. Mais tarde, quando se apaixona, pode acabar afastando o parceiro ou se envolvendo com maus parceiros por, inconscientemente, sentir que não merece carinho verdadeiro. Da mesma maneira, trabalhar demais, estourar o cartão de crédito todo mês, comer em excesso e outros hábitos negativos estão relacionados a emoções mal resolvidas. Situações estressantes também podem desequilibrar o funcionamento neural, facilitando o aparecimento de hábitos nocivos. “Modificar um padrão de comportamento leva tempo, mas é possível prestando atenção a ele e de onde ele vem”, explica Schultz.

PASSO A PASSO DA MUDANÇA

Há vários jeitos de criar novos hábitos. Um deles, mostrado no livro O Poder do Hábito, de Charles Duhigg, parte dos quatro pontos abaixo:

A ROTINA

1. Identifique o comportamento que quer mudar

Por exemplo, toda tarde, por volta de 16h30, você levanta da sua cadeira do escritório e vai com as amigas até a lanchonete comprar um bombom.

A RECOMPENSA

2. Pense no que você ganha com essa atitude

O que você realmente busca quando vai à lanchonete? Se alimentar? Fazer uma pausa no trabalho? Conversar com as amigas? Comer chocolate/doce?

O GATILHO

3. Observe o que desencadeia a ação

Essa é a parte mais difícil: preste atenção no que provoca o processo de levantar para ir à lanchonete. Anote padrões que se repetem no momento anterior ao impulso de levantar. Você se sente ansiosa, estressada, entediada? Está sempre com fome nesse horário?

O PLANO DE AÇÃO

4. Entenda o motivo do hábito e busque maneiras de substituí-lo por outro melhor

Entendendo o que está por trás de um hábito, é possível trocá-lo por outro. Se o motivo é o tédio, caminhar ou sair para um café produz o mesmo efeito. Quando quer socializar, dá para ir até a mesa de alguém bater um papo. Se é fome, uma fruta ou um iogurte resolveria.

Artigo extraído e adaptado do site Boa Forma.

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Ciência explica de que maneira sua motivação é afetada

Anda desanimado com a vida? Já sabe a origem desse desânimo? Sabe se é no trabalho, na faculdade, na escola, na vida pessoal, com a família, com os amigos, ou até mesmo com o namorado/noivo/marido?

Muitas vezes, só conseguimos superar esse sentimento depressivo quando descobrimos a fonte dele e trabalhamos diretamente nele. Com isso, evitamos despejar nossas tristezas e frustrações nas pessoas com quem convivemos.

A Teoria dos Dois Fatores pode te ajudar a interpretar suas emoções motivacionais e classificá-las corretamente. Assim, fica mais fácil superar o desânimo e se motivar!

Frederick Herzberg, autor da Teoria dos Dois Fatores, fundamenta sua teoria no ambiente externo e no trabalho e defende que a motivação depende de dois fatores: higiênicos e motivacionais.

O objetivo do psicólogo americano era entender os fatores que causam insatisfação e aqueles que são responsáveis pela satisfação no ambiente de trabalho. Nessa teoria, Herzberg afirmava que existiam dois fatores que afetavam o individuo no ambiente de trabalho:

• Fatores Higiênicos: São fatores extrínsecos ou ambientais e estão localizados no ambiente. Por exemplo, no trabalho os fatores extrínsecos podem ser o salário, os benefícios, as condições físicas e ambientais da empresa, as diretrizes, o clima organizacional, as oportunidades e o tipo de supervisão recebida, etc.

O termo “higiene” traz a ideia de prevenção, ou seja, fatores que podem ser evitados. Quando os fatores higiênicos são ótimos, evitam a insatisfação, mas não garantem a elevação da satisfação. Porém, quando são precários, provocam a insatisfação. São chamados Fatores Insatisfacientes.

Esse fatores, geralmente, estão fora do controle das pessoas. Mas você pode escolher entre acatá-los ou escapar deles. Por exemplo, se a empresa não oferece benefícios, condições e salários suficientes para te motivar, você pode buscar outro emprego ou abrir sua própria empresa.

• Fatores Motivacionais: São fatores intrínsecos e estão relacionados com o cargo em si, com os deveres e as tarefas executadas. A satisfação no cargo é função do conteúdo ou atividades desafiadoras e estimulantes do cargo.

Esses fatores estão sob o controle dos indivíduos, pois estão relacionados com aquilo que ele faz e desempenha. Causam um nível de satisfação elevado e duradouro, aumentando a produtividade em níveis acima da média e abrangem sentimentos de realização, crescimento e reconhecimento profissional.

Quando os fatores motivacionais são ótimos, aumentam a satisfação do indivíduo pelo trabalho, mas quando são precários, evitam a satisfação. São chamados Fatores Satisfacientes.

Com o intuito de proporcionar uma contínua motivação no trabalho, o indivíduo deve ocupar uma posição que lhe ofereça desafios profissionais, liberdade para decidir, ascensão na carreira, reconhecimento e realização profissional.

Fatores que levam à insatisfação (Higiênicos) Fatores que levam à satisfação (Motivadores)
Política da Empresa Crescimento
Condições do ambiente de Trabalho Desenvolvimento
Relacionamento com outros funcionários Responsabilidade
Segurança Reconhecimento
Salário Realização.

O segredo para garantir a motivação dos trabalhadores caracteriza-se pelo enriquecimento das tarefas, ampliando as responsabilidades, as metas e os desafios profissionais; sem negligenciar fatores como estabilidade, segurança, benefícios, ferramentas de trabalho, salários adequados, bem como proporcionando certo status e reconhecimento profissional.

Artigo extraído e adaptado do site Portal Educação.

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Como conquistar as pessoas para o seu ponto de vista em 12 passos

Você já pensou em dominar o poder de fazer as pessoas adotarem o seu ponto de vista? O que você faria se pudesse convencer qualquer pessoa a fazer aquilo que você quisesse? Pense nas implicações que isso traria para o seu trabalho e para a sua vida.

O escritor americano Dale Carnegie, autor de Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, foi fundo nesse tema e, depois de muita pesquisa, selecionou doze maneiras de conquistar as pessoas para o seu modo de pensar. Algumas regras são claras, mas outras são extremamente estratégicas.

O primeiro passo ensinado é que, embora a outra pessoa tenha um ponto de vista diferente do seu (do contrário você não estaria querendo fazê-la mudar de opinião), você nunca deve entrar em uma discussão. E por quê não? Por que você nunca pode vencer uma discussão sem ferir a pessoa. Dessa forma, ela não vai adotar o seu ponto de vista.

Sendo assim, respeite a opinião alheia e nunca diga diretamente a uma pessoa que ela está errada. Quanto mais você insistir que ela está errada, mais ela passará a defender ferrenhamente o ponto de vista dela.

Procure honestamente ver as coisas pelo ponto de vista alheio, tendo consciência de que você próprio, se estivesse sob as mesmas condições e sob a mesma formação social e educacional, estaria provavelmente pensando da mesma forma.

O quarto ponto a ser observado é que você deve reconhecer suas próprias falhas durante a argumentação.

Se você diz algo como “essa ideia pode parecer meio boba mas não tive uma melhor”, a pessoa com quem você argumenta te olhará com outros olhos, acreditando que você é uma pessoa modesta. Isso não ocorrerá se você chegar certo e seguro de si, falando que tem a melhor ideia do mundo, o que deixará o interlocutor na defensiva.

Uma outra tática muito eficiente é sempre começar a conversa de um modo amistoso. Procure elogiar a pessoa e pontuar as qualidades do ponto de vista dela para unir com as qualidades do ponto de vista que você quer que ela passe a adotar.

O filósofo grego Sócrates tinha grande destreza nessa área ao fazer com que as pessoas dissessem “sim” o quanto antes em uma argumentação. Faça perguntas que não deixe ao interlocutor outra opção que não seja dizer “sim”. Cada “sim” que ele disser, estará mais próximo de adotar a sua ideia.

Mesmo sendo você que quer fazer a outra pessoa mudar de opinião, não deixe isso claro. Na verdade, a outra pessoa deve falar durante a maior parte da conversa. Seja um ouvinte atento e faça perguntas que a estimulem-na a falar bastante.

Delicadamente, vá direcionando a pessoa a pensar que a sua ideia é, na verdade, ideia dela. Assim, ela irá defendê-la com mais veemência. É preciso ter cuidado nessa estratégia, para não parecer manipulador.

A cada ponto em que as ideias da pessoa se aproximarem das suas, mostre-se simpático a elas e ao desejo alheio. Você tem que se colocar no lugar do seu interlocutor para fazê-lo passar para o seu lado.

A décima regra diz para você apelar para os mais nobres motivos. Todo mundo sente orgulho de si, gosta de ser correto e nobre na sua autoavaliação. Aqui entram frases-chave como “Acredito que você é um homem justo…” ou “Sei que você é uma pessoa de palavra…”.

A penúltima dica diz respeito a aprender com os grandes convencedores da humanidade: os publicitários. Dramatize suas ideias, exemplifique como elas serão úteis para a pessoa (e não para você). Lembre-se que, para a pessoa ao lado, uma simples dor de dente incomoda mais do que toda a fome na África. Para ela querer fazer o que você quer, você precisa convencê-la de que isso será importante para ela (e não para você).

Se essas dicas não tiverem funcionado completamente, lance um desafio! Faça a pessoa ao menos experimentar a sua ideia por um período curto de tempo. Estimule a competição.

Todos nós temos o desejo de vencer, de sobrepujar, de se sobressair. Use isso a seu favor.

 As 12 maneiras de conquistar as pessoas para o seu modo de pensar

  1. A única maneira de ganhar uma discussão é evitando-a
  2. Respeite a opinião dos outros, nunca diga: “Você está enganado”
  3. Se estiver errado, reconheça o seu erro rápida e enfaticamente
  4. Comece de maneira amigável
  5. Consiga que a outra pessoa diga “sim, sim” imediatamente
  6. Deixe a outra pessoa falar durante boa parte da conversa
  7. Deixe que a outra pessoa sinta que ideia é dela
  8. Procure honestamente ver as coisas do ponto de vista da outra pessoa
  9. Seja receptivo às ideias e desejos da outra pessoa
  10. Apele para os mais nobres motivos
  11. Dramatize as suas ideias
  12. Lance um desafio

Artigo extraído e adaptado do site Mude.Nu.

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18 exercícios de neuróbica que deixam o cérebro afiado

Quem foi que disse que o cérebro não precisa de exercícios para se manter ativo? Se o nosso corpo necessita de malhação para ficar sempre em ordem e cheio de disposição, por que com a mente seria diferente?

O cérebro também vai perdendo sua capacidade produtiva ao longo dos anos e, se não for treinado com exercícios, pode falhar. O neurocientista norte-americano, Larry Katz, autor do livro Mantenha seu Cérebro Vivo, criou o que é chamado de neuróbica, ou seja, uma ginástica específica para o cérebro.

A teoria de Katz é baseada no argumento de que, tal como o corpo, para se desenvolver de forma equilibrada e plena, a mente também precisa ser treinada, estimulada e desenvolvida. É comum não prestarmos atenção naquilo que fazemos de forma mecânica, por isso costumamos esquecer das ações que executamos pouco tempo depois.

“O objetivo da neuróbica é estimular os cinco sentidos por meio de exercícios, fazendo com que você preste mais atenção nas suas ações e então, melhore seu poder de concentração e a sua memória”, explica a psicóloga especialista em análise comportamental e cognitiva Mariuza Pregnolato. “Não se trata de acrescentar novas atividades à sua rotina, mas de fazer de forma diferente o que é realizado diariamente”.

Para o neurologista da Unifesp Ivan Okamoto, tais exercícios ajudam a desenvolver habilidades motoras e mentais que não costumamos ter em nosso dia a dia, porém, tais habilidades em nada se relacionam com a memória.

“Se você é destro e começa a escrever com a mão esquerda, desenvolverá sua coordenação motora de modo a conseguir escrever com as duas mãos e, caso um dia tenha algum problema que limite a escrita com a mão direita, terá a esquerda bem capacitada para isso. Mas o fato de praticar esse tipo de exercício não significa que você se verá livre de problemas como esquecer de pagar as contas, tomar o remédio, ou algo do gênero”, explica o especialista.

“Você só estimula o cérebro se o exercita, por isso quem sempre esteve atento a essa questão terá menos problemas de saúde cerebral, como demência e doenças cognitivas, como Alzheimer”, explica Pregnolato.

6 exercícios de quebra de rotina

Mudar a rotina ajuda a tirar-nos dos padrões de pensamento de sempre, que nos levam ao piloto automático. Experimente:

  1. Use o relógio de pulso no braço oposto;
  2. Troque o mouse do computador de lado;
  3. Escove os dentes utilizando as duas mãos;
  4. Quando for trabalhar, utilize um percurso diferente do habitual;
  5. Introduza pequenas mudanças nos seus hábitos cotidianos, transformando-os em desafios para o seu cérebro;
  6. Faça alguma atividade diferente com seu outro lado do corpo e estimule o seu cérebro. Se você é destro, que tal escrever com a outra mão?

3 exercícios de memorização

Treinar a memória também ajuda a desenvolver a mente. Tente estes exercícios:

  1. Ao entrar numa sala com muita gente, tente determinar quantas pessoas estão do lado esquerdo e do lado direito. Identifique os objetos que decoram a sala, feche os olhos e enumere-os.
  2. Experimente memorizar aquilo que precisa comprar no supermercado, em vez de elaborar uma lista. Utilize técnicas de memorização ou separe mentalmente o tipo de produtos que precisa. Desde que funcionem, todos os métodos são válidos.
  3. Ouça as notícias na rádio ou na televisão e depois escreva os pontos principais de que se lembrar.

9 exercícios com palavras e habilidades cognitivas

Aprimorar novas habilidades sempre ajuda a exercitar o cérebro. Experimente essas dicas:

  1. Estimule o paladar, coma comidas diferentes.
  2. Leia ou veja fotos de cabeça para baixo concentrando-se em pormenores nos quais nunca tinha reparado.
  3. Folheie uma revista e procure uma fotografia que lhe chame a atenção. Agora pense 25 adjetivos que ache que a descrevem a imagem ou o tema fotografado.
  4. Quando for a um restaurante, tente identificar os ingredientes que compõem o prato que escolheu e concentre-se nos sabores mais subtis. No final, tire a prova dos nove junto ao garçom ou chef.
  5. Selecione uma frase de um livro e tente formar uma frase diferente utilizando as mesmas palavras.
  6. Experimente jogar qualquer jogo ou praticar qualquer atividade que nunca tenha tentado antes.
  7. Compre um quebra cabeças e tente encaixar as peças corretas o mais rapidamente que conseguir, cronometrando o tempo. Repita a operação e veja se progrediu.
  8. Recorrendo a um dicionário, aprenda uma palavra nova todos os dias e tente introduzi-la (adequadamente!) nas conversas que tiver.
  9. Ao ler uma palavra pense em outras cinco que começam com a mesma letra.

Hábitos saudáveis

Outra atitude indispensável para manter a memória sempre afiada, é prestar atenção na qualidade de vida. O neurologista Ivan Okamoto sugere um estilo de vida mais tranquilo, com alimentação balanceada, sem vícios e com a prática regular de exercícios físicos para manter o corpo e a mente saudáveis.

“A melhor maneira de manter a memória em dia é cuidar da saúde, por isso é importante evitar cigarro e bebidas alcoólicas, seguir uma dieta equilibrada, praticar exercícios e exercitar o cérebro. Manter a atividade mental, seja trabalhando ou participando de alguma atividade em grupo, ajuda a elevar a autoestima e deixar a memória a todo vapor”, explica o especialista.

Artigo retirado e adaptado do site Minha Vida.

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Aprendizagem e mudança de hábito

O cérebro é o órgão mais misterioso do corpo humano. Agora, uma coisa podemos afirmar com toda certeza, o cérebro é plástico!

O que isso significa?

Por exemplo, se você toca bateria, as áreas que você estimula ao tocar, como coordenação, motricidade, sensibilidade e audição, são mais desenvolvidas do que as áreas do cérebro de uma pessoa que não toca o mesmo instrumento.

Entre o vasto mistério que é o cérebro humano encontramos diversas dúvidas e curiosidades sobre seu funcionamento. Por exemplo:

– Por que às vezes consigo despertar na hora certa sem mesmo colocar o despertador?

– É verdade que a repetição leva à perfeição?

Pois bem, a resposta para essas perguntas é a mesma: Plasticidade Cerebral.

Vamos exemplificar!

Você é uma pessoa sedentária, e decide que a partir de hoje não será mais assim! Você quer criar uma nova rotina. Então, você vai começar a correr no parque todos os dias, praticar uma atividade física para ter uma vida mais saudável.

No primeiro dia de corrida você está todo animado, mas isso logo passa quando você dá o primeiro pique! Você pensa, o que eu estou fazendo aqui? Isso não é pra mim! Já estou cansado e nem começou…

Mas você é uma pessoa determinada e após travar uma luta gigantesca contra seu desejo de parar de praticar exercícios, você consegue completar dias e mais dias, firme e forte, praticando exercícios.

Em algum momento, após insistir diariamente em praticar atividades físicas, seu corpo irá começar a se acostumar e a corrida não lhe parecerá mais algo desagradável… pelo contrário, se tornará algo prazeroso de ser feito!

A PLASTICIDADE CEREBRAL ESTÁ TOTALMENTE INTERLIGADA AO PROCESSO DE REPETIÇÃO DE ESTÍMULOS.

A Plasticidade Cerebral é definida como alterações estruturais no cérebro, resultado de adaptações do indivíduo e/ou estímulos repetidos. Ou seja, a plasticidade é entendida como um mecanismo adaptativo, que permite que o cérebro crie novas conexões entre neurônios, assim, estabelece novas formas de pensar e agir.

William James (1890), em The Principles of Psychology, foi o primeiro a introduzir e descrever o termo ‘plasticidade’ nas neurociências, em referência à susceptibilidade do comportamento humano para modificação.

“Plasticidade […] significa a posse de uma estrutura débil o bastante para ceder a uma influência, mas forte o bastante para não ceder tudo de uma só vez. Cada fase relativamente estável de equilíbrio em tal estrutura é marcada pelo que podemos chamar de um novo conjunto de hábitos.”

Já acordou as 7 horas em ponto em um domingo, sendo que não precisava? Pois bem, isso ocorre, pois a plasticidade, com a ajuda do ambiente que você vive, no caso sua rotina, criou um caminho sináptico que te leva a acordar sempre no mesmo horário.

Durante a vida nosso cérebro continua se reorganizando, assim, podemos aprender coisas novas durante toda a vida. Inclusive, quando entramos na terceira idade.

A estimulação do cérebro faz com que a plasticidade permita novas ligações, novas aprendizagens sempre. O treino ajuda. A falta de uso apaga. Então pessoal, use e abuse da plasticidade do seu cérebro.

Artigo retirado e adaptado do site Mundo da Psicologia.

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Ciência explica porque reclamar altera negativamente o cérebro

Ouvir alguém reclamar, mesmo que seja você mesmo, nunca fez bem. Algumas pessoas dizem que reclamar pode agir como uma catarse, uma maneira de descarregar emoções e experiências negativas. Mas olhar com mais atenção ao que o ato de reclamar realmente faz para o cérebro nos dá motivos reais para lutar por um estado de espírito mais positivo e eliminar o mimimi de nossas vidas.

O cérebro é um órgão complexo que, de alguma forma, funciona em conjunto com a consciência para criar a personalidade de um ser humano, sempre aprendendo, sempre recriando e se regenerando. É ao mesmo tempo o produto da realidade e o criador da realidade, e a ciência está finalmente começando a entender como o cérebro cria a realidade.

Autor, cientista da computação e filósofo, Steven Parton, examinou como as emoções negativas na forma de reclamações, tanto expressas por você mesmo ou vindas de outros, afetam o cérebro e o corpo, nos ajudando a entender por que algumas pessoas parecem não conseguir sair de um estado negativo.

Sua teoria sugere que a negatividade e a reclamação realmente alteram fisicamente a estrutura e função da mente e do corpo.

“Sinapses que disparam juntas, se mantém juntas”, diz Donald Hebb, que é uma maneira concisa de compreender a essência da neuroplasticidade, a ciência de como o cérebro constrói suas conexões com base em tudo a que é repetidamente exposto. Negatividade e reclamações irão reproduzir mais do mesmo, como essa teoria destaca.

Donald Hebb explica ainda:

By Curtis Neveu - Own work, CC BY-SA 3.0,
By Curtis Neveu – Own work, CC BY-SA 3.0

“O princípio é simples: em todo o seu cérebro há uma coleção de sinapses (responsáveis por transmitir as informações de uma célula para outra) separadas por espaços vazios chamados de fenda sináptica. Sempre que você tem um pensamento, uma sinapse dispara uma reação química através da fenda para outra sinapse, construindo assim uma ponte por onde um sinal elétrico pode atravessar, carregando a informação relevante do seu pensamento durante a descarga.

… toda vez que essa descarga elétrica é acionada, as sinapses se aproximam mais, a fim de diminuir a distância que a descarga elétrica precisa percorrer… o cérebro irá refazer seus próprios circuitos, alterando-se fisicamente para facilitar que as sinapses adequadas compartilhem a reação química e, tornando mais fácil para o pensamento se propagar.“

Além disso, a compreensão desse processo inclui a ideia de que as ligações elétricas mais utilizadas pelo cérebro se tornarão mais curtas, portanto, escolhidas mais frequentemente pelo cérebro. Isso explica como a personalidade é alterada.

No entanto, como seres conscientes, temos o poder de modificar esse processo, simplesmente ao nos tornarmos conscientes de como o jogo universal da dualidade atua no momento em que surgem os pensamentos. Nós temos o poder de escolher criar pensamentos conscientes de amor e harmonia, garantindo, assim, que o cérebro e a personalidade sejam positivamente alterados.

A empatia e o efeito em grupo

Vamos além do efeito que a reclamação tem sobre o próprio indivíduo. Essa linha de raciocínio científico se estende até a dinâmica entre duas pessoas, explicando cientificamente como a reclamação joga outras pessoas para baixo.

Assim, quando alguém derrama um caminhão de fofocas, de negatividade e drama em cima de você, você pode ter certeza que está sendo afetado bioquimicamente, diminuindo as suas chances ser feliz. A exposição a esse tipo de explosão emocional realmente provoca stress. E já sabemos que o estresse mata. Portanto, reclamação e negatividade podem contribuir seriamente para a sua morte precoce.

Parton refere-se a essa perspectiva como “a ciência da felicidade”, e este comportamento de reclamação contínua oferece um estudo propício para a ligação entre o poder do pensamento e a capacidade de controle que uma pessoa pode ter sobre a criação de sua realidade tridimensional.

“… Se você está sempre reclamando e menospreza o seu próprio poder sobre a realidade, você não pensa que tem o poder de mudar. E assim, você nunca vai mudar. “

Artigo extraído do site Terapeutas Quânticos e Holísticos , adaptado por WaysUP.

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Sua imagem: o que você é versus o que pensam de você

Alguma vez já se questionou se a imagem que transmite publicamente, em suas relações interpessoais, é a mesma que os outros têm de você?

Não são raras as vezes em que nos equivocamos sobre a percepção de alguém. Eu mesma já me enganei diversas vezes, quando em um primeiro contato, a pessoa me pareceu arrogante ou indiferente, por exemplo, e depois, à medida que a conhecia melhor, percebia que suas reais características eram a autoconfiança, a ousadia ou o fato de ser direta em suas colocações.

Até aí, tudo bem, acontece, certo? Mas, pensando no lado profissional e na imagem que queremos transmitir aos outros, será que estamos conseguindo reproduzir quem somos realmente?

O nosso comportamento cotidiano nos revela e, acredite, o tempo todo, pessoas nos observam e constroem mentalmente um perfil nosso para depois ser armazenado em sua memória. Dessa forma, quando alguém solicitar sua opinião sobre nós, dirão exatamente as características dessa imagem mental, que pode ser, por exemplo, entusiasta ou contido, confiante ou desconfiado, agregador ou crítico, e por aí vai…

Sendo assim, se o seu desejo é o de transmitir a imagem de alguém entusiasta, capaz, autêntico, que deseja mesmo fazer a diferença na vida de outras pessoas, alguns questionamentos podem ajudar você:

  • Estou demonstrando todo o meu entusiasmo quando procuro influenciar as pessoas?;
  • Procuro usar palavras encorajadoras quando estou diante de alguém desanimado, desiludido ou triste?;
  • Procuro sempre exaltar as qualidades das pessoas ao invés dos defeitos?;
  • Estou vivendo a minha verdade?
  • Procuro servir com grandeza a todos a minha volta?

Use essas e outras perguntas para calibrar os seus comportamentos e demonstrar quem de fato é, seja na convivência diária ou em suas manifestações nas redes sociais. Atente-se para fotos pessoais que podem comprometer sua imagem, comentários que evidenciem discriminação ou que levariam alguém ao desânimo.

Demonstre incansavelmente o seu entusiasmo, a sua força interna, a sua alegria, por mais difícil que seja a situação enfrentada no momento.

“Uma palavra pode salvar uma vida. Uma palavra pode perder uma vida”. Alziro Zarur

wayniere - Blog
Wayniere Valim
Coach – Ways up Founder

 

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Divertida Mente – Nossas emoções na “Sala de Controle”

Gerenciar nossas emoções, especialmente as negativas, não é um papel fácil na vida pessoal e nem tão pouco na profissional, mas, prestar mais atenção em nossas reações e conhecer os gatilhos que disparam esses sentimentos nos coloca em certa vantagem, uma vez que, sabendo quando cada um pode ganhar força, podemos agir estrategicamente para tirar o melhor proveito dessas situações, buscando o equilíbrio entre eles.

Dacher Keltner, especialista das emoções, foi consultor técnico do filme e afirma que o longa da Pixar inova em apresentar como as emoções interagem umas com as outras e como podem trabalhar em conjunto para resolver uma situação.

Tendemos a encarar de forma muito negativa a tristeza e a raiva, mas esses momentos podem também nos trazer grandes insights. A raiva, por exemplo, pode alimentar a criatividade, a culpa pode alimentar a busca por melhoria e a Tristeza tem um papel fundamental para de nos fazer encontrar a felicidade, como mostra o filme.

Selecionei esse texto da psicóloga Jessye Cantini, no qual traz uma excelente explicação sobre o filme! Boa leitura!

(Trailer do Filme Divertida Mente (Inside out)

“Divertida Mente aborda a mente de uma garotinha de 11 anos, Riley, que até o começo do longa teve uma vida estável ao lado de pais amorosos em Minessotta. Dentro da cabeça de Riley, dividiam a “sala de comando” a Alegria, a Tristeza, a Raiva, “a” Nojinho e o Medo – emoções básicas que todos nós temos, incluindo os pais de Riley. A Alegria era a emoção preponderante, mais ativa que as demais. No dia a dia de Riley são geradas memórias, na maioria das vezes alegres, que são armazenadas em “ilhas de personalidade”, como família, amizade, honestidade, bobeira/diversão e esporte. A história, no entanto, ocorre quando a menina passa por uma grande mudança em sua vida, gerando uma confusão na “sala de comando” e alterando a supremacia da Alegria – o que mais cedo ou mais tarde ocorre na vida de todos nós.

É interessante e não ocasional a escolha dos roteiristas pelas emoções que compõem a “sala de comando” de Riley. Medo, Alegria, Tristeza, Raiva e Nojo são emoções básicas humanas, ou seja, são reconhecidas por expressões faciais por todos os humanos, em qualquer lugar do planeta. Assim, pessoas das mais diversas culturas são capazes de compreender e empatizar com a simpática garotinha do filme.

O estudo sobre emoções básicas e expressões faciais vem desde Darwin, que dizia que a mente e o comportamento também são talhados pela seleção natural. Segundo ele, as emoções são inatas e servem para melhorar nossa adaptação ao mundo e aos outros. De fato, nossas emoções nos ajudam a avaliar as alternativas, oferecendo motivação para mudar ou fazer algo, e revelam nossas necessidades. Em Divertida Mente, a função das emoções é abordada de forma muito interessante. Todas elas estão ali por um motivo: a raiva aparece quando alguma injustiça é detectada, o nojo previne intoxicações (alimentares e sociais, diga-se de passagem), o medo previne lesões e garante a integridade física e psíquica, a alegria aparece nas conquistas e é um grande fator motivacional e a tristeza… Bom, vou deixar a definição da tristeza para quem for ver o filme, mas adianto que ela é bem importante!

A relação entre as emoções, que no filme são personagens, é outro ponto a favor do filme. A Alegria quer predominar, para que Riley seja mais feliz, mas a Tristeza insiste em aparecer em horas inoportunas. A tentativa da Alegria em manter a Tristeza longe chama a atenção, pois é algo que muitos de nós fazemos no nosso dia a dia: botamos um sorriso no rosto, dizemos para nós mesmos que está tudo bem e seguimos em frente, mesmo que no fundo isso não seja tão verdadeiro assim – ou seja, tendemos a invalidar nossa tristeza.

Mas se a tristeza é uma emoção básica e as emoções têm uma função importante para nossa adaptação, invalidar esse sentimento não parece muito razoável, certo? Quando a gente para e presta atenção no que nossas emoções dizem sobre a gente e para a gente, entendemos que elas apontam na direção de alguns valores importantes para a gente podem estar sendo atingidos pelos acontecimentos externos ou por determinados comportamentos nossos. Essa validação é importante pra gente poder fazer alguma coisa por nós mesmos!

Falando em valores, eles ganham destaque na arquitetura da mente de Riley. As tais “ilhas da personalidade” são valores pessoais da menina, ou seja, as coisas que são muito importantes para ela. Quando os valores são abalados, as emoções também o são e vice versa. E aí, os comportamentos começam a se tornar disfuncionais, levando as emoções a uma pane geral – a tal da apatia. A forma como o filme mostra isso para as crianças é simples e objetiva: apesar de quase todas as emoções tentarem muito, nenhuma delas conseguia operar o painel de comando!

É legal notar que esse painel que as emoções usam para administrar a mente das pessoas vai ficando complexo com o passar do tempo. No começo, Riley tinha um painel simples, em que só uma emoção era capaz de ocupar – daí a primazia da Alegria. Com o amadurecimento, o painel aumenta e as emoções comandam juntas, como pode ser observado nos pais de Riley e, mas para o fim do filme, na própria garotinha. Com o painel mais complexo, as memórias podem ser formadas por sentimentos mistos (ou seja, por mais de um sentimento por lembrança, dando vazão a toda uma nova gama de emoções).

Por fim, mas não menos importante, o filme não fala sobre, mas faz com que experimentemos empatia. Empatia é a habilidade que temos de nos colocar no lugar do outro e sentir e pensar como se fossemos ele. É impossível não empatizar com Riley, não se lembrar de algo que aconteceu em nossas vidas em que reagimos da forma assim ou assado como o próprio filme mostra (principalmente em relação às reações mais bruscas das emoções).

Para os interessados em psicologia, o filme é diversão pura. E para os profissionais, fica a dica para psicoeducação de pacientes sobre emoções, valores, aceitação, depressão e um monte de outras coisas. Fora a diversão de assistir cenas hilárias sobre corredores de memórias antigas, amigos imaginários da primeira infância, inconsciente e, é claro, sobre sonhos! Enfim, o Psicologia Explica de fato tenta explicar e recomenda Divertida Mente.”

Artigo publicado originalmente em Psicologia Explica

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Coaching x terapia, mentoring e consultoria

A Federação Internacional de Coaching distingue coaching das outras abordagens similares da seguinte maneira:

A Terapia lida com a cura da dor, disfunção e conflito no indivíduo ou nos relacionamentos. Foca-se em resolver as dificuldades que surgem do passado e em aprimorar o preparo psicológico para aprender a lidar com o presente de maneira emocionalmente saudável.