A dor da perda: como superá-la

Na semana passada, recebi um recadinho muito querido vindo de uma espectadora assídua da Live que faço toda segunda-feira no Instagram, às 7 horas da manhã.

Ao mesmo tempo que agradecia, ela me fazia um apelo: abordar um tema difícil, o luto.

“Gostaria de dar uma dica de assunto. Tenho passado por uma experiência nova pra mim, o luto. Há um mês meu pai se despediu dessa vida terrena e tem sido muito difícil. E acredito que tem várias pessoas que precisam de uma luz nesse momento.”

As perdas fazem parte da nossa vida, não só por meio da morte, mas também de…

  • Um relacionamento rompido,
  • Uma demissão do trabalho,
  • Um projeto recusado…

Torna-se interessante observar que as fases do luto, abordadas a seguir, são também bastante semelhantes às fases de mudança nas empresas, quando há alteração de um gestor na equipe, quando uma empresa é adquirida por outra ou mesmo no caso de uma mudança de rumo da companhia.

Portanto, acredito que o tema seja bastante pertinente a todos nós.

Para trazer a contribuição de uma terapeuta, convidei a psicóloga clínica Crisleine Radatz, especialista em terapia de casais e individual, para falar sobre o luto. Veja um pouco do que ela trouxe em sua participação ao vivo hoje:

“Toda vez que pensamos em perdas, pensamos na morte de pessoas queridas ao nosso coração. Mas perder vai muito mais além do que a morte.

Podemos sofrer com:

  • perdas de elos afetivos,
  • desemprego,
  • expectativas impossíveis,
  • sonhos românticos,
  • a perda da nossa juventude, entre outros.

Certamente quando criança, durante um jogo, uma partida de futebol ou em uma simples brincadeira em que você acabou perdendo para o coleguinha, e durante a sua frustração, você deve ter ouvido de algum adulto: ‘Você precisa saber perder’ ou ‘Você tem que aprender a perder’.

A realidade é que nunca aprendemos o suficiente. Sempre tem uma parte de nós que ainda precisa amadurecer.

A dor e o sofrimento têm sua importância em nosso processo de amadurecimento, mas como superar essa dor? 

O que podemos fazer para viver enquanto essa dor não nos ensina tudo que temos que aprender?

Você já parou para pensar que, desde o nosso nascimento, temos que conviver com a dor?

Na verdade, nascemos perdendo. Perdemos o útero da nossa mãe, aquele lugar seguro, confortável e tranquilo.

Mas essa perda nos faz ganhar um mundo inteiro de possibilidades pela frente.

Para aprender a superar a dor da perda, penso ser de fundamental importância entender as 5 fases do luto*:

1 – Negação e choque

É a primeira reação diante de uma perda.

Geralmente, dizemos: ‘Não posso acreditar que não verei mais essa pessoa’.

‘É muito difícil aceitar que não me encontrarei mais com ela’.

No caso do fim de um relacionamento é quando temos fantasias de retorno ou de que as coisas irão funcionar apesar de todos os indicativos concretos de que a relação terminou.

2. Raiva

Nessa fase, a raiva é a emoção mais evidente: do médico que não diagnosticou a doença em tempo, de si mesmo porque não agiu com a urgência necessária, e, até mesmo do ente querido que nos deixou, apesar de termos consciência que isso não faz o menor sentido.

No caso do rompimento afetivo, a raiva se manifesta contra tudo o que pode ter sido o motivo da separação: o trabalho excessivo que roubou o tempo dos dois, a outra mulher ou homem que foi o pivô da separação…

Para outros, a raiva pode se dirigir a si mesmo e se transformar em culpa.

3. Negociação

Pode iniciar-se inclusive antes da morte do ser amado, como, por exemplo, no caso de doenças quando prometemos algo para que Deus poupe nosso querido. 

No fim de um relacionamento, pode-se tentar voltar com promessas ao ex — irei mudar, irei voltar a procurar você quando estiver pronto, vou frequentar terapia, vamos fazer as coisas de modo diferente.

Negociar pode ser saudável na medida em que os ajuda a acalmar com a perspectiva de que “um dia, nos encontraremos de novo” — o que irá acontecer de qualquer maneira, dentro de nós mesmos, após termos sido transformados por essa experiência.

4. “Depressão”

Depois de uma perda, é muito provável que, em algum momento, passemos a sentir-nos cansados e um pouco desconectados das outras pessoas. Ficamos mais silenciosos e podemos ter alterações no apetite e/ou no sono.

É a fase mais profunda do luto, na qual experimentamos muita tristeza ou, caso não estivermos abertos para nossos sentimentos, uma certa dormência emocional.

Nesse período, um acalento físico pode ser muito importante, como um abraço, uma sessão de relaxamento ou massagem. Esse acalento pode ajudar a viver as emoções difíceis e deixar o processo do luto se desenrolar com mais suavidade.

5. Aceitação

Depois de viver momentos muito difíceis, finalmente alcançamos alguma paz com essa perda que tivemos, não há mais aquela gana de recuperar as coisas como eram antes.

Ainda podemos sentir tristeza ou saudades, mas voltamos a pensar no futuro e passamos a sentir que algo novo irá aparecer em nossas vidas.

Esse momento não chega de uma hora para outra nem é um mar de rosas, mas ele vem se insinuando pouco a pouco, quase sem que o percebamos.

É quando a lembrança de quem não está mais conosco dá mais alegria, boas lembranças, do que vontade de chorar. É o momento em que ficamos realmente em paz e entendemos de coração porque aquela relação não deu certo.

Essas fases variam de tempo e intensidade de pessoa para pessoa e não necessariamente se passa por todas elas.

Agora que conheceu um pouco mais sobre as fases, aqui vão 3 dicas para ajudar a superar a dor e a angústia de conviver apenas com a lembrança de algo:

1 – Dê permissão a si mesmo para sentir o luto

Saiba que essas fases são naturais em qualquer pessoa. Você não precisa ser forte o tempo todo. Viver o luto é importante para sua superação.

2 – Compreenda a sua reação

Cada um tem seu próprio jeito de reagir. A autoconsciência e o autoconhecimento são fundamentais para que entenda as próprias emoções, como e por que está reagindo assim.

Ter clareza desse entendimento ajudará você a traçar estratégias seguras para minimizar os impactos negativos e evitar um luto muito demorado.

3 – Em vez de se questionar “por que?”, pergunte-se “o que vou fazer agora?”

É comum ficarmos buscando as razões que levaram ao acontecido. Isso é benéfico para tirarmos lições aprendidas, mas é preciso reagir e voltar à normalidade para o bem das outras pessoas da sua vida, além de ser fundamental para a sua saúde física e mental também”.

Bem, espero mesmo que esse conhecimento traga importantes aprendizados para você!

Lembrou de alguém que esteja passando por uma perda e acredita que essas palavras podem ajudá-lo, fique à vontade para compartilhar.

Wayne Valim

*Fonte: https://www.psiconlinews.com/2015/05/5-fases-luto.html

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