A importância de ser honesto

A honestidade é uma das virtudes mais importantes: na família, no trabalho e na sociedade. Na política, então, assume especial relevância. Um político ser capaz de dizer ao que vem (dizer o que pensa) e fazer o que diz: eis o que necessitamos!

Pode-se pensar na importância da competência técnica, da inteligência, da inovação e da criatividade. Mas cá entre nós, o que mais está em falta é mesmo a honestidade. Todo o resto são benefícios que podem ser construídos sobre ações e pensamentos honestos.

Quando se tem responsabilidades políticas, públicas ou coletivas, a questão da honestidade põe-se com maior acutilância, uma vez que a sua presença ou ausência geram consequências alarmantes, sobre várias pessoas.

Não só o que fazemos afeta diretamente muita gente como o nosso exemplo tem peso – a atitude de um governante tem que ser exemplar porque é um modelo de ação.

E note-se que a honestidade é transversal: não basta haver coerência entre o que se diz e o que se pratica, o que se diz tem que ser coerente com a verdade (e tantas vezes o discurso é demagógico ou internamente incoerente – eis a desonestidade intelectual!).

Bem sei que clamar por honestidade na política é o grau zero dessa atividade, mas é o ponto em que estamos, é por aí que precisamos de começar. Num país como o nosso, em que a percepção e a realidade da corrupção atingem patamares alarmantes, seria, de fato, um progresso enorme, conseguir que todos os políticos tomassem atitudes honestas. Depois, então, viriam as escolhas ideológicas, ou seja, começaríamos, realmente, com a política.

Mas não só na política se põe a questão da honestidade: também nos negócios e na vida cívica e coletiva temos que lidar por ela. Por isso não basta clamar apenas por políticos honestos. Cada um de nós deve cultivar a honestidade como um valor e como um hábito.

Só teremos moral para exigir honestidade se começarmos por ser honestos também.

Depois, numa democracia representativa, o nosso voto mostra quem nós escolhemos para nos representar.

Quem vota em políticos comprovadamente corruptos e desonestos está afirmando que se sente representado por essas figuras. Não tem, assim, legitimidade para se queixar quando o político for desonesto. E o argumento da falta de alternativas não colhe: há políticos que ainda não provaram ser desonestos!

A honestidade (aliás como todos os outros valores) não aparece codificada binariamente: honesto/desonesto. Há graus de honestidade e graus de desonestidade.

Aquilo que devemos procurar é ter atitudes de alto grau de honestidade e de baixo grau de desonestidade e votar naqueles políticos que demonstraram maiores graus de honestidade: aqueles que respeitam as leis, que rejeitam a corrupção, que favorecem a transparência e a rotatividade no poder, que praticam políticas financeiras responsáveis, que atentam às diferentes instituições e aos diferentes interesses das populações e que não mentem.

Uma percentagem substancial da culpa pela crise que vivemos deve-se à desonestidade que tem grassado no mundo. De políticos que vão para o governo e não fazem aquilo a que se comprometeram nos seus programas eleitorais, de decisores que desrespeitam os interesses populares e agem de acordo com vontades particulares, de governantes que hipotecam o futuro com manobras de curto prazo ou de demagogos engravatados que prometem o impossível. Tanto no Brasil como no mundo, a crise tem muito a ver com a dificuldade que temos tido em fazer com que a honestidade seja um valor realmente irrevogável.

Artigo extraído e adaptado do site P3.

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